História

A freguesia do Castelo (Nossa Senhora do Castelo) teve origem no povoamento medieval em torno do Castelo de Sesimbra, após a conquista cristã da região no século XII. O dia 22 de fevereiro de 1236 é hoje assumido como referência simbólica para o Dia da Freguesia do Castelo, evocando a sua formação histórica e identitária. É a maior freguesia do concelho de Sesimbra, em território, com 178,77 quilómetros quadrados

1236

A definição do Dia da Freguesia do Castelo de Sesimbra resulta de uma análise histórica fundamentada, identificando deste modo, uma data com significado relevante para a identidade da comunidade local.

Neste sentido, tornou-se necessário recorrer à análise do processo histórico de formação do núcleo habitacional cristão de Sesimbra e da génese da sua primeira paróquia, Santa Maria do Castelo, enquanto elemento agregador da vida comunitária, religiosa e jurisdicional.

A incorporação do território de Sesimbra no domínio cristão não é consensual na historiografia. Alguns autores defendem que esta terá ocorrido na sequência imediata da conquista de Lisboa e dos territórios envolventes. Outros, com base em fontes históricas mais tardias, apontam o período entre 1160 e 1165 como o momento da conquista efetiva do território, pela força das armas. Esta última interpretação é hoje considerada a mais plausível, atendendo à posição geográfica de Sesimbra e ao seu enquadramento estratégico no contexto militar da época.

Ao longo do século XII, o território conheceu períodos de instabilidade, com recuos e avanços sucessivos entre forças cristãs e muçulmanas. Apenas durante o reinado de D. Sancho I, e com a presença consolidada da Ordem de Santiago a sul do Tejo, se criaram as condições para um povoamento estável e para o desenvolvimento do território.

O primeiro documento conhecido relacionado com o povoamento de Sesimbra data de 1199, tratando-se de uma carta de povoamento dirigida a um contingente de cruzados francos. Contudo, este documento não revela qualquer organização paroquial ou concelhia estruturada. Já o foral concedido por D. Sancho I em 1201 pressupõe a existência de uma organização proto-concelhia e menciona a presença de uma igreja e de clérigos, ainda que sem detalhar a sua estrutura ou jurisdição.

A primeira referência documental explícita à igreja de Santa Maria do Castelo surge apenas entre 1220 e 1229, num rol de igrejas do padroado régio. Apesar disso, só em 1236 se verifica um momento verdadeiramente estruturante para a organização paroquial de Sesimbra, a doação do padroado da igreja à Ordem de Santiago, formalizada em 22 de fevereiro de 1236.

Este ato marca o início de uma organização paroquial estável e plenamente integrada num território administrativamente coeso, correspondendo à consolidação de um núcleo habitacional concreto em torno da Igreja de Santa Maria do Castelo. Esse núcleo manter-se-ia como centro urbano principal do concelho até à criação da paróquia de Santiago, já na zona ribeirinha, refletindo a evolução natural do povoamento ao longo do tempo.

Atendendo à relevância que os momentos fundadores assumem para a construção da identidade coletiva das comunidades locais, e com base na documentação histórica atualmente conhecida, foi adotada a data de 22 de fevereiro de 1236 como referência simbólica para o Dia da Freguesia do Castelo de Sesimbra, enquanto marco do nascimento da sua paróquia e da consolidação da comunidade que lhe deu origem.

Conferência: Origens da Freguesia do Castelo

24 maio`24

Prof. João Costa, Investigador do Centro de Humanidades e Centro de Estudos Históricos da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa



Curiosidades:

- É a maior do concelho de Sesimbra, em território, com 178,77 quilómetros quadrados, e a segunda em população, com  20.212 pessoas habitantes (censos 2021).

- Abrange o território rural desde o Cabo Espichel ao Arneiro, a norte, e até à Quinta do Conde, a nascente. Mais a sul, os seus limites vão até ao Fojo, na Serra da Arrábida.

- Na freguesia do Castelo,  encontra-se o conjunto medieval constituído pelo Castelo de Sesimbra e o Santuário de Nossa Senhora do Cabo.

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1160

A Igreja de Santa Maria do Castelo foi fundada no ano de 1160 tendo sofrido, desde então, várias reformas que lhe adulteraram a traça original. Uma dessas remodelações deve ter ocorrido, possivelmente no ano de 1721, como é atestado por inscrição existente no portal.

O templo é de uma só nave, coberta por um tecto simples tendo ao centro uma tela do século XVII que representa a Coroação da Virgem. As paredes são todas revestidas a azulejos de cor azul e branca do século XVIII, de boa qualidade, que figuram momentos da vida de Nossa Senhora.

O púlpito é um bom trabalho em pedra de lioz. Os retábulos dos sete altares em talha dourada merecem também referência e datam dos princípios de setecentos. Na sacristia encontra-se a mais valiosa peça que a Igreja guarda, uma escultura de alabastros representando Nossa Senhora Mãe dos Homens, provavelmente do século XIII, e que é um notável exemplo de concepção plástica.

1200

O castelo de Sesimbra que Afonso Henriques conquistou foi arrasado em 1190 tendo sido reerguido em 1200, por ordem do rei D. Sancho I, e teve um novo restauro em época recente. Este restauro pretendeu recuperar a traça original da construção com a sua muralha defensiva e respectivos parapeitos e guarnição das ameias.

O edifício recuperou o aspecto medieval com a maciça ala do alcácer, dominada pela grande torre de menagem de abóbada artesoada na cobertura do piso superior, a norte do recinto amuralhado. Junto da cisterna podem ainda ver-se as ruínas da Casa dos Vereadores, que no início do século XVI ainda funcionava.

1707

Dentre o património da freguesia do castelo é importante referir o Santuário de Nossa Senhora do Cabo, localizado no Cabo Espichel, um dos mais interessantes pontos de toda a geografia e imaginária nacional. O templo é também conhecido pelo nome de Santuário da Pedra da Mua e está actualmente quase abandonado.

A igreja, para onde foi transferida em 1707 a imagem de Nossa Senhora do Cabo, tem portal com frontão em meia concha, ladeado por fogaréus.

O interior tem um guarda-vento em madeira brasileira, é de uma só nave, coberta por tecto em abóbada onde se desenvolve uma bela composição a fresco, de perspectiva, figurando no centro a Assunção da Virgem, obra notável de Lourenço da Cunha, executada em 1740. As paredes estão totalmente revestidas por mármore branco e negro da Arrábida.

Na capela-mor encontra-se a maquineta-relicário em prata dourada, oferecida pela peregrinação de Lisboa, de 1680, onde se guarda a muito antiga e pequena imagem da Senhora do Cabo.

1738

Na freguesia do Castelo localiza-se o Solar da Quintinha, amplo solar barroco, situado no lugar da Cotovia e que é constituído por várias alas modernizadas tendo a principal um terraço apoiado em arcaria corrida. O Solar tem uma capela privativa de fachada muito singela datada de 1738 e possui um altar de talha clássica, em cujo trono figura uma imagem de Nossa Senhora das Dores. O tecto é estucado e ornado com figuras de dois Evangelistas, S. Paulo e S. Pedro e o Agnus Dei. Nas paredes existem quatro telas do final de setecentos em estilo de Pedro Alexandrino.

1770

Fora do recinto da igreja e das hospedarias ergue-se a Casa da Água, construída em 1770 a que se acede por uma escadaria e que tem como peça mais valiosa a belíssima fonte de tipo rocaille de mármore, em tipo berniniano.