A processionária, vulgarmente conhecida como lagarta do pinheiro, é uma espécie desfolhadora que pode parasitar pinheiros e cedros. O seu nome deve-se ao facto de formar longas procissões de lagartas que se dirigem das árvores para o solo, onde irão crisalidar. Nos últimos anos, em Portugal têm-se observado ataques de elevada intensidade, devida, principalmente, às condições climatéricas.

Em ambiente urbano, este inseto deverá ter uma vigilância constante e um combate urgente e atempado, dadas as consequências que pode provocar em termos de saúde pública.

Os principais grupos de risco são as crianças e os animais, uma vez que, no ser humano, os seus pelos urticantes podem causar alergias cutâneas, e em situações mais graves, asfixia. Nos animais provocam danos que se manifestam particularmente nas patas e na boca.

Ciclo de vida da Processionária do Pinheiro

» Fase aérea (de julho a setembro)
Nesta fase, a lagarta assume a forma de uma borboleta que após sair do casulo, acasala e faz a postura de ovos nas folhas do pinheiro. Por vezes não são facilmente detetadas, pois têm hábitos noturnos.

» Fase terrestre (de setembro a fevereiro)
Depois da eclosão dos ovos, as lagartas passam por cinco fases de crescimento. A partir da terceira ganham os pelos urticantes. É também nesta altura que começam a formar os ninhos brancos que se veem no cimo dos pinheiros, para se poderem abrigar do mau tempo. Quando termina a sua formação iniciam a sua última fase do seu ciclo de vida.

» Fase subterrânea (de janeiro a abril)
As lagartas iniciam a descida até ao solo em procissão, em busca de um lugar onde se possam enterrar para formar um casulo e transformar-se novamente em borboleta. Assim se inicia novamente o seu ciclo de vida.

Medidas de prevenção e controlo da espécie

Antes do final da primavera, aconselha-se a colocação de armadilhas sexuais para captura das borboletas macho nos pinheiros atacados.

Entre setembro e novembro, nos primeiros estádios de desenvolvimento das lagartas, os tratamentos com inseticidas, efetuados com produtos autorizados, são eficazes.

Entre novembro e dezembro, a destruição dos ninhos limita o desenvolvimento da praga.

De janeiro a abril, na altura das procissões, pode-se intersetar e destruir as lagartas antes que estas se enterrem no solo, por exemplo, com recurso a cintas adesivas, ou funis/garrafões colados às árvores, ou com a instalação de ninhos de chapins.

Pinheiros em domínio privado

Os pinheiros que se encontram em domínio privado são da responsabilidade do proprietário, assegurando o mesmo o controlo e/ou a remoção da lagarta do pinheiro.

Recomendações do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e da Direção-geral de Saúde, para a resolução do problema da processionária, para os pinheiros localizados em domínio privado:

Tentar capturá-las quando descem pelo tronco cintando este, numa extensão de 50 centímetros a um metro, com plástico ou papel embebidos nas duas faces com cola inodora.

As lagartas possuem pelos urticantes que também se encontram espalhados pelos ramos e nos ninhos.

No solo, juntá-las com o auxílio de um ancinho, vassoura de jardinagem ou qualquer outro utensílio semelhante.

Queimá-las ou esmagá-las com suavidade para não provocar a projeção dos pelos, como reação defensiva.

Proceder à poda do pinheiro, removendo os ramos afetados.

Qualquer que seja o meio de luta escolhido, é indispensável o uso de luvas, vestuário apropriado para proteção de todo o corpo, e máscara de proteção para nariz e boca.

Cuidados a ter:

- Deve ser evitado o contacto direto que pode originar urticária, reações alérgicas ao nível da pele, olhos e aparelho respiratório.

Na presença deste insecto;

- Afaste-se do local. Informe a Proteção Civil, a Câmara Municipal ou o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas. Em caso de aparecimento de sintomas, lave a zona afetada com água corrente e dirija-se a um posto médico ou ao hospital mais próximo.

- No caso de contacto direto, poderá também ligar para a linha Saúde 24 (808 242 424).

Consulte o Folheto _ Processionária do Pinheiro | ICNF