O vice-presidente da Associação Nacional de Freguesias Paulo Quaresma afirmou que os autarcas têm a esperança de que a saída do ministro Miguel Relvas do Governo "leve atrás um conjunto de medidas" contra as freguesias.

 A reforma administrativa nacional, que levou à redução de 1165 freguesias, foi um dos principais projetos de Miguel Relvas na área do poder local enquanto ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares.

"Por si só, a demissão do ministro não resolve o problema das freguesias. Mas queremos manter a esperança que a saída leve atrás o recuar de um conjunto de medidas contra as freguesias que, por consequência, trazem prejuízos para as populações", afirmou Paulo Quaresma à agência Lusa.

"Temos a esperança de que o futuro responsável da área das autarquias tenha outra sensibilidade perante o poder local e a sua importância para o desenvolvimento do país", disse o também presidente da Junta de Freguesia de Carnide, em Lisboa.

A reforma administrativa foi aprovada pela Assembleia da República no final do ano passado e tem aplicação prevista até às próximas eleições autárquicas, mas a Associação Nacional de Freguesias (Anafre) continua a defender a sua revogação.

"Não pode haver muita ilusão, temos consciência de que a saída não vai resolver os problemas. Mas este é um ministro que não deixa saudades", disse o autarca comunista.

Para a Anafre, Miguel Relvas "é o rosto de um dos momentos mais negros da vida das autarquias".

Extremamente críticas, as freguesias levaram a cabo várias manifestações contra a reforma que foi considerada por Miguel Relvas como o "choque reformista" da administração local.

Jornal de Notícias 2013-04-05