O Espaço Zambujal recebe no próximo dia 12 de Outubro, pelas 15:30h, o lançamento do livro "As Montanhas de Palinga", de Joaquim Pinto.

O livro será apresentado pela Professora Doutora Maria Teresa Santos, Professora Auxiliar da Universidade de Évora, que também prefaciou a obra.

E não há melhor maneira de apresentar um livro do que o deixar falar por si mesmo e dar lugar ao testemunho de quem o leu e prefaciou:
“Sem dúvida que a estratégia do diálogo, a que o autor recorre e que intensifica a dramática da intimidade metamórfica, favorece a visualização das cenas, complexifica o enredo, autonomiza as personagens e torna a ficção verossímil. Mas não é a dinâmica construtiva da narração que importa salientar, outrossim fazer crer que a narrativa é uma imaginatio vero, ou um "testemunho" da experiência de fazer o caminho de dentro da habitação de si. Um modo de habitar-se significativamente indicativo da pedagogia da interioridade e expresso nestes termos: A nossa história só se torna importante se conseguirmos aprender com ela, caso contrário, é apenas uma narrativa". Além disso, o livro, que adoptou a estrutura narrativa das viagens extraordinárias, tem coerência global e qualidade expectante suficientes para se querer chegar à última página num só lance de leitura.
Excerto do Prefácio de Teresa Santos, Professora Auxiliar da Universidade de Évora.
 

“Tudo o que é realmente grandioso e belo na Natureza revela-se ao Homem na sua origem divina. Onde um líder religioso desaponta o crente, um artista inspirador desvela emoções capazes de levar o Homem ao encontro do Incriado. Aquele que se conseguir inscrever nos caros e raros momentos em que a beleza sublime se suspende no seu íntimo veludo, na liminaridade das profundezas subtis do seu ser, pode sempre, naquelas horas de maior desespero, refugiar-se no seu templo interior, na sua morada. Nesse profundo sentir, fruirá da paz, elevar-se-á na suave brisa dos tempos e encontrará a íntima luz que em si germina. Partirá, depois, no seu agir, confiante de que no momento em que atingir o ardente umbral da sua verdadeira essência, alcançará, no amparo divino, uma asa perfeita para poder voar em harmonia na vida. Não há verdade mais profunda do que esta suprema verdade: o Ser só é uma verdade livre se viver numa liberdade verdadeira.
Os matizes das aspirações do Homem alteram-se com o decorrer dos tempos, na íntima esperança de alcançar, na eternidade, o Amor sublime e a felicidade. Estes almejos realizar-se-ão porque nos estão prometidos e gravados no fluxo, que se oculta… mas que não se deixa ocultar. Para tal, basta a autenticidade, na concordância com o fluxo energético universal.
Não se perder neste fluxo, e com isso manter em aberto este universo de possibilidades que nos assiste, é ser uma parte autêntica do todo. É um amanhecer-se, no sentido de, no amanhã, poder nascer de novo, renovando os votos do nosso intrínseco sentir. Quando se vive na escuridão, no breu do existir, qualquer luz nos atrai, mas nem todas nos iluminam. É de vital importância não ir atrás de luzes brilhantes, mas de luzes constantes. A luz constante é aquela que consta “em”, que está connosco a cada passo dado… está em nós e em nós germina de forma genuína.”

Pinto, Joaquim in “As Montanhas de Palinga” P.153

Lançamento do Livro: As Montanhas de Palinga

Breve nota biográfica do autor:

Joaquim Pinto é escritor, professor e investigador na Universidade Católica Portuguesa. Tem atualmente cerca de uma dezena de obras publicadas, em diversos âmbitos de interesse: Pedagogia, Antropologia, Cultura, Religião e Filosofia da Consciência.