Património Edificado

Castelo de Sesimbra e Igreja de Nossa Senhora da Consolação do Castelo

O Castelo de Sesimbra constitui-se como um imóvel medieval cuja origem possível se constitui no emirado omieda do Século IX. Conquistado em 1165 por D. Afonso Henriques, o castelo foi em 1191 perdido para os almóadas, tendo sido reocupado por colonos francos em 1195. Em 1236 D. Sancho II doa-o à Ordem Militar de Santiago. Em 1374 D. Fernando ordena a realização de trabalhos de recuperação nas muralhas e em 1384 é novamente atacado por castelhanos.

Em 1640 são criados os 4 baluartes que hoje podemos observar, intervenção que não impediu que o imóvel entrasse em ruína, processo agudizado pelo terramoto de 1755 e que só foi travado pela intervenção da DGEMN de 1933-1945. A partir de 1998, a Câmara Municipal de Sesimbra é responsável por importantes intervenções no sentido da recuperação e valorização do imóvel. É classificado como Monumento Nacional desde Junho de 1910. Em termos arquitectónicos, apresenta planta irregular, alongada no sentido Nordeste / Sudoeste, sendo composto, a Norte, por uma alcáçova, de planta poligonal, reforçada por duas torres rectangulares e torre de menagem, cuja porta de acesso é limitada por dois cubelos quadrangulares. No topo Sul localiza-se uma torre vigia de planta rectangular, sendo o pano da muralha, vertical, rematado por merlões quadrangulares, rasgados por seteiras, com adarve envolvente. É reforçado, do lado Norte, por um cubelo semi-circular, adossando-se à muralha quatro baluartes triangulares de forte jorramento, dois a Norte e dois a Sul. Os acessos ao imóvel, são feitos por duas portas, uma a Nordeste, a porta do Sol, aberta entre cubelos prismáticos, com vestígios de uma barbacã defensiva, e outra a Noroeste, a porta da Azóia, reforçada por cubelo prismático e antecedida por barbacã com porta em arco.

A Igreja de Nossa Senhora da Consolação é um templo fundado em 1165, apresentando-se hoje muito alterado em relação ao original. Do período maneirista resta o portal, sendo o interior revestido por um conjunto de valiosos painéis de azulejaria da 1.ª metade do século XVIII. Os azulejos que se encontram sob o púlpito, são de rara aplicação, revelando afinidades com o Ciclo dos Grandes Mestres. A invulgar imagem em alabastro de N.ª Sr.ª Mãe dos Homens (séculos XIV - XV), pertencente ao templo primitivo e hoje exposta ao culto na Igreja de Nossa Senhora da Assunção, é típica da escola francesa, sendo inspirada num modelo inglês anterior. O templo primitivo é um marco da primeira reconquista cristã levada a cabo por D. Afonso Henriques. Apresenta planta longitudinal regular, sendo composto por templo com torre sineira rectangular e anexos. A fachada apresenta um austero "estilo chão", encontrando-se orientada a Oeste, destacando-se o portal maneirista sobre soleira, ladeado por duas fenestras. O interior, comporta uma nave, capela-mor e sacristia, encontrando-se as paredes revestidas a azulejaria azul e branca. Na parede frontal, encontra-se incrustado um grande retábulo-mor de talha dourada, com cobertura em abóbada, ao passo que na entrada subsiste o coro-alto em madeira apoiado em duas colunas toscanas. A nave inclui vãos de janelas de arco pleno com pedra de fecho, dispondo-se as capelas laterais em grupos de três, cobertas por abóbadas de concha. A Capela-mor, encontra-se separada da nave por um arco triunfal, dando acesso à sacristia.

Santuário do Cabo Espichel (Igreja, Ermida, Mãe d' Água, Hospedarias, Cruzeiros, Aqueduto, Poço e Casa da Ópera)

O Santuário do Cabo Espichel é um complexo que envolve património natural e património edificado. Na primeira categoria entroncam a Igreja de Nossa Senhora do Cabo Espichel, a Ermida da Memória, a Casa da Água, o conjunto das Hospedarias, os Cruzeiros dos círios, o Aqueduto, o Poço do Santuário e a Casa da Ópera, todos eles classificados como Imóveis de Interesse Público pelo Decreto n.º 37728 de S - I - 1950. Da segunda faz parte o trilho de pegadas conhecido como Jazida de Superfície da Pedra da Mua, classificada como Monumento Natural pelo Decreto - lei 20/97 de 7 de Maio. Este trilho, pela sua natureza, é descrito em pormenor na parte respectiva do Património Natural. Ainda assim, é em parte à sua presença nas arribas a Norte do Cabo Espichel que se deve a existência do Santuário. Com efeito, a lenda da "Pedra da Mua" está directamente associada ao aparecimento de uma imagem de Nossa Senhora no planalto do Cabo. A versão mais conhecida refere que Nossa Senhora foi transportada por uma "jumentinha" do mar até ao topo do Cabo, subindo precisamente pela laje conhecida como "Pedra da Mua".

Uma das lendas refere que em 1410, “um velho de Alcabideche observara em noites sucessivas uma luz misteriosa sobre o Cabo, pelo que pediu à Virgem que lhe explicasse o significado de tais visões. Durante um sonho, Nossa Senhora disse-lhe para se dirigir ao Cabo, pois ali encontraria uma imagem escondida há muito séculos, desejando agora que os fiéis lhe prestassem culto. Num Sábado, a caminho do Cabo Espichel, o velho encontrou uma mulher do sítio da Caparica que também avistara uma luz misteriosa e procurava a imagem por conselho da Virgem.

Encontrada a imagem, fizeram-lhe uma capelinha em alecrim, no local onde hoje se encontra a Ermida da Memória, e voltaram para as suas casas espalhando a notícia do milagroso acontecimento, mobilizando um grande número de pessoas que começaram a dirigir-se em grande número ao Cabo Espichel”.

É neste quadro que as pegadas da "jumentinha" impressas na rocha, assim como a lenda a elas associada, se cruzam com identificação das pistas de dinossáurios. Toda a carga simbólica e religiosa do Cabo Espichel proporcionou um terreno fértil para a tradição popular expressar a sua fé, fenómeno que culminou com o esplendor das romarias e festas consagradas à Nossa Senhora do Cabo.

O culto da imagem do Cabo, que acabou por ser formalmente instituído em 1697 por Breve Pontifício, terá ganho fôlego no início do segundo quartel do século XV, com a doação da Ermida da Memória aos frades Dominicanos.

A construção da Igreja de Nossa Senhora do Cabo Espichel foi uma iniciativa da Casa Real Portuguesa, nomeadamente do Rei D. Pedro II, devoto de Nossa Senhora do Cabo. O imóvel consiste num templo de "estilo chão" de inícios do século XVIII (1701 a 1707), que apresenta planta longitudinal composta por rectângulos justapostos, correspondentes à nave e à capela-mor, a que se adossam duas torres sineiras e duas sacristias. O interior encontra-se bem decorado, incluindo paredes revestidas a mármore, bem como frescos e pinturas a óleo de autoria de Lourenço da Cunha.

A Ermida da Memória é um pequeno templo quatrocentista de planta rectangular simples, harmoniosa e proporcional, encimado por cúpula boleada com coroa de ressaibos orientalizantes. É antecedido por um adro de onde se contempla o oceano. Tanto no seu interior, como na fachada Sul, figuram painéis de azulejos brancos e azuis que narram o historial do Santuário. O imóvel original foi edificado durante o século XV, por iniciativa dos primeiros peregrinos, com o objectivo de albergar a imagem de N.ª Sr.ª do Cabo.

No que diz respeito à Mãe d' Água, esta foi construída em 1770 a mando de D. José I, com o objectivo de abastecer de água, provindo esta da vizinha povoação de Azoia e conduzida pelo Aqueduto de construção coeva, o elevado número de peregrinos que ocorriam ao santuário. Em 1950, foi classificado como Imóvel de Interesse Público, encontrando-se hoje em avançado estado de degradação. Está actualmente incluído num programa de recuperação por parte da DGEMN que tem por objectivo restituir ao complexo a sua essência original. Também por iniciativa régia, e dentro do mesmo período cronológico (Séc. XVIII), foi mandado construir o Poço do Santuário.

O conjunto das Hospedarias consiste em alas, de planta rectangular, sendo composto por dois corpos paralelos, de comprimento desigual, dispostos no sentido Este / Oeste, divididos em dois pisos. O inferior, encontra-se rasgado por arcaria ritmada assente em pilares prismáticos, sendo o superior rasgado por janelas rectangulares irregularmente distribuídas. Foi construído em 1715 com o objectivo de substituir as casas dos romeiros que se dispunham em volta do primitivo templo, tendo, entre 1745 e 1760, sido ampliado até às dimensões actuais, devido à grande afluência de peregrinos.

No que respeita ao conjunto dos três Cruzeiros, pode dizer-se que estes monumentos foram edificados durante a primeira metade do século XVIII, fazendo parte do circuito de romaria e de peregrinação ao santuário, acompanhando a principal via de acesso, sendo, portanto, cruzeiros "de caminho". Por fim, a Casa da Ópera apresenta-se como um imóvel de planta rectangular, setecentista, mandado edificar por D. José I, que incluía cenários e acomodações para público e artistas. Tinha por objectivo animar os festejos, organizando espectáculos com companhias famosas, nomeadamente italianas.

Capela de Nossa Senhora da Conceição

O imóvel consiste num modesto templo seiscentista de planta simples e empena de duas águas, construído a expensas da população local. O interior do edifício, é composto por uma nave única, restando pouco do traçado original e encontrando - se a sacristia ao abandono. Terá sido edificado num momento em que tanto a vila como o Concelho de Sesimbra, estariam a experimentar um período de início de regressão económica. A construção de pequenos templos de traçado modesto no meio rural, custeada pela população local, foi uma constante desde a Idade Média, dada a falta de meios e o isolamento das mesmas. Apresenta planta rectangular, de fachada simples, sendo o imóvel recortado por frontão e pórtico seiscentista. O campanário, rematado por três pequenos pináculos cilíndricos, encontra-se inscrito na cimalha da frontaria. O interior é composto por nave única, restando pouco do traçado original. A sacristia encontra-se ao abandono e inclui uma imagem setecentista de S. Tiago Maior, uma imagem do século XVIII representando a Virgem e o Menino, e um sacrário de talha dourada com a custódia gravada na porta, provavelmente já do século XIX.

Forte de S. Domingos da Baralha e Capela do Senhor Jesus dos Navegantes

O Forte de S. Domingos da Baralha consiste numa pequena fortificação de planta rectangular edificada durante os reinados de D. Afonso VI e de D. Pedro II (provavelmente em 1665), na sequência da reestruturação defensiva da costa, preconizada por D. João IV, através da construção de fortes na linha de costa, para defesa de ataques castelhanos, ingleses e sarracenos. O forte teria ainda funções de controle das reuniões de pescadores, nas pequenas calhetas da costa, que se encontravam fora das áreas urbanas, onde o poder da coroa era mais forte. Possui uma estrutura típica de finais do século XVII, apresentando algumas características do novo sistema seiscentista de fortes, tal como o desprovimento de linhas volumosas. Após as guerras liberais (1834), foi desmantelado e votado ao abandono, tendo sido progressivamente destruído pela erosão do mar. Hoje, apenas subsistem a plataforma, a porta e a cisterna, consistindo os seus edifícios num aglomerado de pedras.

A Capela do Senhor Jesus dos Navegantes consiste num pequeno templo de finais do século XVII, edificado durante o reinado de D. Pedro II, a cerca de 400 m a Este do Forte de S. Domingos, muito utilizado pelas tripulações das embarcações de Sesimbra, que nela velavam antes da partida para as grandes viagens. Foi parte importante das dependências do forte de S. Domingos, tendo sido destruída por um incêndio em 20 de Julho de 1803

Igreja Matriz da Corredoura

O imóvel consiste num templo de planta rectangular, edificado em 1955, com o objectivo de substituir a antiga Igreja de Nossa Senhora da Consolação do Castelo na função de sede paroquial, uma vez que apresentava claras mais-valias em termos de funcionalidade. Foi edificado em pleno Estado Novo, momento em que se assiste a uma requalificação das concepções arquitecturais, baseadas numa nova racionalidade urbanística, aperfeiçoando o planeamento urbano. A frontaria apresenta uma torre altaneira à ilharga, fazendo-se o acesso ao monumento por um portão em arco.

Moinho da Forca

O imóvel foi construído em pedra e cal, apresentando planta circular. Movido por energia eólica, localiza-se no mesmo sítio onde, durante a idade média, existiu um cadafalso de base em pedra, onde eram aplicadas as sentenças de morte por enforcamento. Actualmente encontra-se desactivado, tendo o seu interior sido transformado em casa de habitação. A sua estrutura apresenta ainda a torre e o tejadilho, possuindo cerca de 7 m de diâmetro na base, por 5,5 m de altura, mostrando as paredes cerca de 1, 60 m de espessura. O interior, é composto por rés-do- chão e dois pisos, aos quais se ascende por uma escada superior, feita em pedra e cal, tendo sido transformado em casa de habitação. Já não subsistem vestígios das mós nem do mastro.

Palácio de Sampaio

O imóvel consiste num palácio aristocrático solarengo do século XVIII, de tipo barroco, que apresenta planta rectangular assim como frontão triangular, onde figura a pedra de armas dos Marqueses de São Paio. No interior do edifício, denota-se um bom leque de azulejaria "rocaille", da segunda metade do século XVIII, que ilustra cenas de caçadas e episódios da vida cortesã, dispersos pelos corredores e salões. Possui também uma capela de retábulo neoclássico com uma imagem de roca, representando N.ª Senhora, um oratório de talha dourada, abrigando uma pintura sobre tela que representa a Virgem, o Menino e Anjos, assim como duas imagens em madeira estofadas e policromadas. Foi edificado em pleno absolutismo, momento áureo da demonstração de poder por parte das famílias nobres, através da construção de sumptuosos palácios aristocráticos. No Concelho de Sesimbra, esta foi uma prática corrente durante o século XVIII. Famílias da alta nobreza como os Condes de S. Paio, os Sousa e Holstein Beck e os Cremer, edificaram os seus palácios na zona rural do Concelho, como forma de atestar a sua superioridade social e económica face aos seus pares.

Palácio Palmela de Calhariz

O imóvel consiste num palácio rural de planta em U, constituindo um importante exemplar da arquitectura civil de transição da estética maneirista para a barroca, na segunda metade do século XVII e inícios do XVIII. O seu traçado caracteriza-se pela concepção maneirista dos alçados, com a presença simultânea de colunas torsas barrocas ladeando a porta principal. Foi edificado entre 1670-1710, período que marca os alvores do absolutismo e momento áureo da demonstração de poder por parte das famílias nobres, através da construção de sumptuosos palácios. 

No Concelho de Sesimbra, esta foi uma prática corrente durante o século XVIII. Famílias da alta nobreza edificaram os seus palácios na zona rural do Concelho, como forma de atestar a sua superioridade social e económica face aos seus pares. O imóvel é composto por dois pisos e três alas rectangulares, denotando um cariz nobre de concepção linear. Em ambos os pisos, encontram-se dispostas janelas de sacada, desprovidas de decoração que formam um "mezzanino" renascentista. O corpo principal inclui o portal maneirista, ladeado por colunas torsas e encimado por frontão triangular, cingindo a pedra de armas dos fundadores. No interior, a compartimentação é composta por salas de planta rectangular, de que se destaca o vestíbulo, revestido por lambril azulejar monocromo de gramática vegetalista. O palácio inclui ainda uma capela barroca revestida por painel de azulejaria monocromática e por embutidos de mármore.